Crise da GM americana não afeta o Brasil

No momento em que a economia mundial sofre com a crise americana, marcas como General Motors e Ford tiveram perdas inesperadas no terceiro trimestre do ano e já gastaram bilhões de dólares para tentar superar a crise.

A General Motors dos Estados Unidos já afirmou que perdeu US$ 4,2 bilhões de julho a setembro e “queimou” US$ 6,9 bilhões do seu caixa no trimestre pela “desaceleração da demanda por veículos, combinada com a crise de crédito, especialmente na América do Norte e na Europa”. No fim de setembro, a marca posssuía US$16,2 bilhões em caixa e hoje afirma possuir US$11 bilhões, o que afirma ser necessário para “pagar as contas”.
Caso o governo americano não intervenha e ofereça linhas de ajuda para as montadoras, o retrato financeiro de cada fabricante pode ficar ainda mais feio. O vice-presidente executivo da empresa, Rick Wagoner, disse que pedir concordata seria um desastre muito além da General Motors e um triste capítulo da história americana.
O vice-presidente da General Motors do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto, afirmou em recente entrevista que não confirma a hipótese de concordata. Para ele, a centenária General Motors ainda se consagra por ser a maior empresa do mundo na área automobilística e devido a essa solidez, não acredita que há nada de concreto.
Aqui no Brasil, a General Motors também é sólida. Presente há 84 anos no território nacional, a empresa que passa por um momento de lucratividade pode até ajudar financeiramente a matriz americana. Segundo Pinheiro Neto, o mercado brasileiro também passou por altos e baixos, como a virada de 1997, quando a indústria nacional vendeu quase dois milhões de veículos e no ano seguinte, cerca de 800 mil unidades a menos. Com essa queda nas vendas nacionais, a General Motors do Brasil também contou com ajuda financeira externa. Na ocasião, a sede da General Motors não só fez remessas de novos investimentos, como também enviou dinheiro para a manutenção da empresa do Brasil. “Agora nada mais justo do que dar esse retorno para a sede e para os acionistas”, afirma o executivo.
José Carlos Pinheiro Neto também deixou claro que a renda da GM Corporation não é proveniente somente dos Estados Unidos. Ele garante que a marca é uma das que mais se globalizou e hoje conta com 60% da sua renda vinda fora do mercado americano. Para ele, a crise tem afetado positivamente os mercados emergentes e especialmente o Brasil, que se destaca entre esses países como líder. “A corporação privilegiou, a partir desta situação, investimentos nos países chamados emergentes, dentre os quais o Brasil ocupa uma posição de liderança. Portanto hoje, está mais fácil você obter da corporação novos investimentos nesses países. Daqui pra frente, pelo posicionamento do mercado brasileiro é possível que se tenha uma facilidade adicional na busca de novos investimentos”. A maior prova disso é que enquanto José Carlos Pinheiro Neto dava a entrevista, estava na cidade catarinense de Joinville, reafirmando a intenção de construir uma fábrica de motores no local.

Fonte: Autoshow

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